Conheça a história da cidade pernambucana que já foi vizinha da África

Cidade que conta com belas praias e de destaque no estado de Pernambuco, Cabo de Santo Agostinho já foi o palco de um decisivo momento na história da humanidade. Certamente você não sabia disso, mas a região marca o ponto de ruptura final entre os continentes sul-americano e africano.

A separação ocorreu há cerca de 102 milhões de anos na era Cretácia, quando ainda existiam dinossauros pelo planeta, e foi de certa forma conturbada, com direito a terremotos e erupções de vulcões.

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E com isso alguns resquícios daquela época podem ser vistos e visitados até hoje na região. Onde fica a antiga Casa do Faroleiro é um desses pontos. A construção é do final do século 19 e servia de morada para quem trabalhava no farol, além de ser depósito de material, combustíveis e peças sobressalentes.

A base com essas ruínas, com acesso que pode ser feito pela praia de Gaibú, está encrustada no solo granítico da época da ruptura. E além de todo esse contexto histórico, desse local o turista terá uma bela paisagem, com o Porto de Suape e os navios de um lado e os prédios da orla de Jaboatão dos Guararapes do outro.

casa do faroleiro

E para comprovar que é verdade, o mesmo tipo de granito encontrado em Cabo de Santo Agostinho pode ser visto em terras africanas, especificamente na região onde é a Nigéria. A participação local na divisão dos continentes também está muito clara no município de Ipojuca, distante 19 quilômetros de Cabo. Lá existe um neck vulcânico, como se fosse um “pescoço” do vulcão, que pode ser visto da usina da cidade.

E, além disso, o local também tem uma história bem interessante. Se você perguntar quem descobriu o Brasil na região, pode ser que escute o nome do espanhol Vicente Yáñez Pinzón e não de Pedro Álvares Cabral. Na cidade há até um monumento falando sobre o espanhol em uma das praças.

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Isso porque de acordo com a história não oficial do Brasil, a expedição do espanhol chegou na região em 26 de janeiro de 1500, meses antes da esquadra do português desembarcar no sul da Bahia. Pinzón lavrou o termo de posse e batizou o local como Cabo de Santa Maria de La Consolación.

Mas Espanha e Portugal haviam assinado o Tratado de Tordesilhas, onde qualquer terra da região, mesmo as que não tinham sido descobertas, pertenciam oficialmente aos portugueses. Tempos depois os portugueses chegaram lá e rebatizaram a área com o nome atual, Cabo de Santo Agostinho.

Depois disso a cidade se expandiu e durante o século 17 os portugueses construíram vários monumentos e fortalezas ao longo do litoral. Um exemplo é o Forte de Nazaré, erguido em 1632. Mas as terras foram invadidas por holandeses que renomearem a construção para Water Kastell, ou Castelo do Mar. Perto dessa construção estão as ruínas do Velho Quartel, fortaleza que servia de apoio a construção militar. Hoje as duas construções estão abertas para visitações e são administradas pelo exército brasileiro.

Forte Castelo do Mar

Cabo de Santo Agostinho é um lugar com tanta história que realmente merece ser visitado. E não só pelas lindas praias, mas por toda sua representatividade com essa história de milhões de anos que pouca gente sabe.

O turismo para esses tipos de locais não é muito explorado. Mas mesmo assim vale a pena ir até lá conhecer e entender um pouco mais o que aconteceu no passado.

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