Guia completo para gastar menos (é possível) em Fernando de Noronha

Noronhe-se! Em muitas plaquinhas artesanais espalhadas pela ilha você facilmente encontra esse conselho. Fernando de Noronha é um arquipélago brasileiro que pertence ao estado de Pernambuco, distante 545 quilômetros de Recife. Para chegar lá, o turista só tem uma opção: ir de avião por Natal ou Recife.

Destino almejado por muitos brasileiros, uma passagem para lá custa mais caro que viajar para América do Sul e se iguala a muitos países europeus. Assim, a ilha vai filtrando seu público por serem raríssimas as promoções de passagens, não possuir camping ou hostel, além de ter que pagar uma taxa por dias que pretende permanecer. Eu tive muita sorte com a passagem e, sem pensar duas vezes, mergulhei de cabeça nessa viagem de quatro dias.

baía dos porcos
Foto: Kleber Dias – Baía dos Porcos

Taxas e preços

A Taxa de Preservação Ambiental é cobrada de acordo com os dias de permanência na Ilha, para ser mais exata: R$ 56 por dia paga no aeroporto, se for gringo o valor dobra. As melhores praias para mergulho são parques preservados e para ter acesso a elas, somente para ter o direito de entrar neles, já são mais R$89 que garantirão acesso por 10 dias, mais o aluguel da roupas do material de mergulho.

Pensa que acabou? Eu cheguei na ilha logo na primeira semana de janeiro e a administração de lá, preocupada com um ataque recente de tubarão, sancionou uma lei que a prática de mergulho somente pode ser feita com o acompanhamento de um guia profissional.

É viajante, Noronha para muitos ainda é um sonho!

piscina da caieira
Foto: Kleber Dias – Piscina da Caieira

O que fazer por lá gastando pouco

Eu sou o tipo de mochileira que encara qualquer coisa, mas confesso que a ilha me preocupou por não me dar tantas opções. Mas, mesmo a quase 600 quilômetros do continente, ainda se é capaz de economizar.

Descendo no aeroporto, se tem a opção de ir para o centro de táxi ou ônibus, o primeiro, dependendo para onde você for, fica em torno de R$30, mas, não se engane, a única rodovia da ilha tem 7 quilômetros e o coletivo, além de ser só R$ 3 reais, passa de 10 em 10 minutos e percorre toda a ilha (do Sueste ao Porto).

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As pousadas e hotéis por lá são caríssimas (comparado a quem tem hostel e camping como opção), no entanto, tem uma senhorinha que se chama Maria de Gouveia, que em seus 80 anos de vida, agora resolveu abrir a porta de sua casa para hospedagem.

Dependendo da época, o quarto para casal pode chegar a menos de R$ 200, com direito a usar a cozinha, convites pra conversas e peixadas. Localiza-se na Vila dos Remédios, perto da nigth, das praias e restaurantes.

Comer em Noronha não é barato, você está em um lugar que tudo chega de barco e essa viagem demora quase 3 dias, o que faz os preços serem superfaturados. Os lugares mais em conta que encontrei foram dois: Loja da Mãezinha e Restaurante do Jacaré. Eles ficam bem pertinhos um do outro e a comida é uma delícia e barata.

No sábado, tem a Feirinha da Sustentabilidade, em frente à casa da Dona Maria. Lá existem muitas opções, desde comidas típicas nordestinas como o famoso arrumadinho, cachorro-quente, bolos e tortas. Vale muito a pena!

Para se movimentar na ilha as opções são muitas, bugres, motos e bikes. Eu particularmente preferi alugar uma bicicleta elétrica. Uma diária das 8 da manhã até as 18 horas da tarde custa em torno de R$ 80 e dá pra fazer uma infinidade de praias e trilhas. Um cara bacana que presta esse serviço é o Caio, perto da praça Flamboyant, no ateliê da Moniquinha. Mas, se você for ficar poucos dias na ilha, bom mesmo é alternar para poder aproveitar o máximo.

A contratação de um guia pode ser ideal para garimpar aquelas piscinas naturais escondidas, assim você otimiza o tempo e conhece o máximo possível. Afinal, lá não é um destino que se pode ir a qualquer momento. O guia Kleber Dias, um cara de Olinda que mora há 7 anos na ilha, é uma boa opção. Barato e de uma energia sem igual. Ele aluga bugres e faz todas as trilhas, além de tirar lindas fotos.

As praias

Noronha é o único lugar que clichês como “paradisíaco” e “águas de tons azul-celeste” ainda não alcançam a verdadeira beleza da ilha, o lugar é indescritível em suas belezas. Lá, as praias são divididas em duas maneiras: Mar de Dentro e Mar de Fora. O primeiro referente às 10 praias e às 3 baías que estão de frente para o litoral brasileiro, e o outro, Mar de Fora, referente às 4 praias, enseadas e piscinas naturais de frente para a África.

A mais famosa é a Praia da Cacimba do Padre, de areia clara, água turquesa e areia fofa. É nela que se localiza o Morro dos Dois Irmãos, cartão postal da ilha. Ela é ligada com um tanto de outras praias, piscinas naturais, trilhas, mas a verdade mesmo é que qualquer lugarzinho ali é um paraíso, não há como escolher. Outras praias bem visitadas são a do Sancho, do Leão e a Baía dos Porcos.

A ilha está dividida em dois parques: Área de Preservação Ambiental (APA) e Parque Nacional Marinho (PANAMA), por isso, em algumas praias como Atalaia e Enseada dos Abreus, você só pode entrar com agendamento prévio. Tem que ficar ligado para não deixar de conhecer algum lugar incrível por coisinhas poucas.

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Foto: Kleber Dias

A noite em Noronha

Surpreendeu-me que alguns sites e blogs deixavam os leitores de sobreaviso: Noronha não tem uma noite agitada! Pensei que assim seria melhor e que poderia focar mais no dia. Mas, não é bem assim não, a agitação já começa pelo Bar do Meio (na Praia do Meio), um lugar descolado, com cerveja a um bom preço e Dj’s deixando as energias lá em cima.

É uma boa dica para apreciar o sol se pôr. A noite é comandada por dois bares principais: Bar do Cachorro e Muzenza. E foi no Redondo que tudo acontece. Assim se chama a praça em que estão os principais bares, a igreja e os restaurantes.

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O  Bar do Cachorro tem forró pé-de-serra na sexta e forrónejo no sábado. Quem comanda a noite é o Felipe França ao som de sua sanfona sentida e no vocal. Além de ser uma simpatia.

O segundo bar, comandado pela Cinthia Peromnia e a banda local Os Eloqüentes, traz um repertório bem variado, mas nota-se a veia regueira que conduz a batida. No domingo, o Muzenza é palco do famoso samba depois da missa, impossível ficar parado com o grupo. Quando não é de graça, as entradas não passam de R$ 20.

Um fica quase de frente para o outro e, entre eles, no centro do Redondo, tem um trailerzinho, conhecido como Bar do Seu Andrade, com cerveja barata, música alta e muitos nativos. É ali que a galera que mora na ilha se reúne. Sugiro beber por ali, que tem o melhor preço de cerveja da vila.

Os nativos e as conexões

Maior que a beleza inigualável do lugar é a energia dos moradores. Em qualquer lugar, a qualquer hora, eles estão prontos para um bom papo, dar muitas dicas e te convidar, assim mesmo sem te conhecer, para uma boa comida ou bebida.

Voltei de Noronha acreditando acreditando que o povo dali tem um segredo que não conta para ninguém e ele é responsável por tanta alegria emanada.

Assim, a ilha te conquista, com a beleza, a simpatia e a boa onda de cada pedacinho do lugar. Estar em Noronha é se sentir em casa. Não vejo a hora de voltar pra casa!

Serviço:

  • Kleber Dias – guia: (81) 9992-7345 (whats)
  • Dona Maria de Gouveia – hospedagem: (81) 3619-1827

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