Com seu vira-lata, arquiteto irá viajar e mostrar um Brasil desconhecido em livros de fotografias

É comum que as pessoas queiram conhecer outros países. A viagem sempre fica empolgante quando você tem acesso a outras culturas, costumes, paladares, paisagens. Mas, antes de tudo, você conhece bem o Brasil?

E é justamente esse o olhar que o arquiteto Eduardo Marchioni Escobar Filho, que atualmente mora no Rio de Janeiro, quer dividir com outros brasileiros. Nesse mês, ele começa uma jornada pelo país para conhecer e produzir a coletânea “O Brasil que poucos conhecem”.

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Uma viagem que durará 72 meses e que não fará sozinho. Engana-se também quem pensa que será na companhia de amigos, namorada ou familiares. Eduardo levará o seu cachorro Lie, um vira-lata muito inteligente e que também adora conhecer novos lugares.

Eduardo e seu cachorro Lie
Eduardo e seu cachorro Lie

O projeto abrange três pontos de vista: primeiro, fotograficamente, é uma homenagem e uma compilação de fotos de alta qualidade que retratam as paisagens brasileiras; segundo, das viagens e aventuras para que o projeto se concretize; por último, pessoal e profissional, pois é um período longo e por isso acaba se tornando um estilo de vida durante a viagem.

O roteiro

mapa brasilCom um Brasil inteiro a ser descoberto em 210 mil quilômetros de percurso, serão vários os lugares a serem visitados (veja o mapa ao lado) e foram escolhidos a dedo. Eduardo conta que tentou fugir do senso comum e dos destinos mais turísticos. A ideia realmente é chegar naqueles cantinhos mais remotos.

Para ter liberdade e flexibilidade, as viagens serão feitas de carro e, nessa primeira etapa, que durará cerca de dez meses, o arquiteto irá percorrer a região Sul, matéria-prima para o seu primeiro livro. Ao todo, serão seis livros que irão compor uma coletânea que forma a palavra BRASIL. A previsão é que a viagem inteira dure seis anos. Na sequência, virão os destinos das regiões Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste e, por último, as capitais.

“Ao longo da viagem, com certeza imprevistos irão surgir e poderão modificar o roteiro. Optei por não fazer um micro planejamento engessado, justamente para permitir esta flexibilidade de agenda. O que acho muito saudável para o projeto”, explica. O contato com nativos e o comportamento do clima são exemplos de fatores que podem alterar o planejamento inicial do roteiro.

A motivação

Os últimos 15 anos da vida do arquiteto foram dedicados ao crescimento profissional. Mas, enquanto passou por este processo, percebeu de forma gradativa que este é um caminho infinito e depois de um certo ponto, sem volta. Um processo, muitas vezes baseado na abdicação de saúde, amizades, família e satisfação, motivado por uma busca por status, ou dinheiro. “Resumidamente, este projeto é a materialização da busca pessoal por um conceito de vida que faça mais sentido para mim”, completa.

Mas, você deve estar curioso: como as três paixões de Eduardo – fotografia, arquitetura e viagens – se encontraram? Em 2005, quando morou em Valência, na Espanha, aproveitou para conhecer a região da Europa e suas famosas arquiteturas. Nessas viagens, fotografou muito e o gosto pela fotografia foi despertado. “Sentia prazer em enquadrar aquelas imagens. De lá para cá, tive pausas, mas em geral, aprimorei a qualidade de minhas fotos, meus equipamentos e de certa forma, criei meu próprio estilo.”

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Como é o Brasil que poucos conhecem

Eduardo conta como imagina a sua jornada: “Eu quero descobrir quantos “Brasis” existem dentro do Brasil. Quero mostrar que existem lugares no Brasil pouco conhecidos e explorados turisticamente, que são maravilhosos, curiosos e naturalmente muito ricos. Quero mostrar que há uma enorme variação de clima, vegetação, relevos, faunas, costumes. Quero registrar locais que pela foto você diria ser outro local, que sua reação seria: Isso é no Brasil?; cânions, grutas, cavernas, picos, falésias, arquipélagos, cidades submersas, Pantanal, Amazônia, Lençóis Maranhenses, Monte Roraima etc. Quero mostrar que nós brasileiros temos pouquíssima consciência do que realmente compõe o Brasil. Muitos de nós dizemos que nosso país tem dimensões continentais, mas de fato não temos ideia do que isso significa. Temos cidades onde a língua predominante é o alemão e temos aldeias indígenas ainda sem contato com o homem “branco”. Realmente quero mostrar a vastidão e a riqueza das diversidades do Brasil, que na minha opinião é pouco explorado turisticamente.”

Disponibilização do conteúdo

Aprovado pelo Ministério da Cultura como um projeto cultural, a publicação dos livros será feita gratuitamente pela internet. Os primeiros exemplares físicos serão destinados para os patrocinadores, para os locais fotografados e para populações de baixa renda. Depois disso, o livro físico será colocado à venda.

Gostou e quer conhecer mais sobre o projeto? Acesse e acompanhe pelo site. As informações também serão compartilhadas no Instagram  e no Facebook do projeto.

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