Viajante Aprendiz: jornalista conta como organizou viagem pela Europa sem ter grana guardada

Iniciar uma jornada com o objetivo de saber o que existe de tão curioso por esse mundão. Esse é o sonho de muitos brasileiros e que infelizmente esbarra na questão financeira. Como viajar, conhecer culturas, costumes, pessoas e lugares com certa autonomia financeira?

Em dezembro de 2014 surgiu uma oportunidade, embora meio remota, de fazer uma viagem profissional para participar de um evento nos Estados Unidos. Foi o momento de providenciar passaporte, visto e muitos planos. A viagem, porém, não aconteceu, mas a vontade de alçar o primeiro voo rumo a outro país ficou martelando.

Dois meses depois, a decisão de viajar para a Europa estava tomada. O objetivo não era uma viagem de férias de apenas um mês. A ideia era de passar cerca de um ano conhecendo o Velho Mundo. Eu não tinha dinheiro guardado para esta finalidade e também não poderia deixar meu emprego.

paris jardins
Ao fundo, a Catedral de Notre-Dame de Paris

Sou jornalista, blogueira, trabalho em um e-commerce e tenho 31 anos. Na coluna Viajantes Aprendizes desta semana vou dar 8 dicas para que você possa planejar uma viagem internacional mais longa, mesmo sem ter uma reserva de dinheiro.

1 – Poupar dinheiro

Sabe aquele cafezinho no meio da tarde, o chope com os colegas no final do expediente, a ida à manicure toda semana ou aquele calçado com preço irresistível que viu na vitrine? São apenas alguns exemplos de gastos que podem ser cortados ou diminuídos.

Você vai se surpreender com a quantidade de dinheiro que gasta com coisas que não são essenciais. Além disso, terá muito mais tempo para planejar sua viagem, pesquisar sobre a história dos lugares que irá visitar ou opções de roteiros interessantes. Pense! Você estará abrindo mão de hábitos corriqueiros em função de um plano maior e que valerá cada centavo investido: viajar. 

chope em paris
Que tal economizar no chope brasileiro para prová-lo em Paris?

2 – Vender roupas e acessórios  

Com certeza você não poderá levar tudo que tem em seu guarda-roupas. Então, já tem um bom motivo para tirar tudo pra fora e fazer uma boa seleção do que vai levar, do que pretende deixar guardado e do que pode ser vendido. Isso mesmo! Muitas vezes compramos peças por impulso e que ficam só ocupando espaço no móvel.

Uma dica (eu fiz dessa forma) é separar tudo que não tem mais interesse, isso inclui roupas, calçados, bolsas e até cintos, fotografar as peças, criar um grupo e convidar seus amigos no Facebook ou Whatsapp. Assim, você pode enviar as fotos, colocar preços e descrição de tamanho. Eu vendi mais de 50 peças de roupas dessa forma e consegui juntar quase R$ 1000 em duas semanas.

3 – Negociar móveis e eletrodomésticos

Outra opção – para quem pretende ficar mais tempo fora – é negociar móveis e eletrodomésticos que ficarão sem uso. Isso vale para televisão, rádio, geladeira, cômodas, tapetes, cobertores e tudo que achar que pode ser adquirido na volta sem problemas. Se você planeja comprar um celular ou computador no exterior, também vale vender o que tem para ajudar a pagar o equipamento novo.

Se você tem casa ou apartamento, pode alugá-lo e garantir uma renda durante o período que estiver fora. Com certeza essa grana irá ajudá-lo a bancar as despesas de hospedagem no exterior.

4 – Vender seu carro

A minha viagem só se tornou oficialmente viável quando vendi meu carro. Você pode ir diretamente a uma concessionária negociar, ou então, anunciar nos jornais de classificados e na internet, em sites como o OLX.

Planeje-se e comece a negociar pelo menos uns três meses antes da viagem. Se a venda acontecer de imediato – é possível! – não hesite. Você já pode ir se adaptando ao estilo de vida que terá no exterior: caminhar muito e usar transporte público.

passagens compradas
Carro vendido, passagens compradas 🙂

5 – Negociar a prestação de serviços remotos

Antes de viajar, consegui flexibilidade junto a empresa para trabalhar de onde eu estivesse e esse foi o pulo do gato, o que tornou a viagem 100% viável. É uma relação diferenciada entre funcionário e empregador, mas que ainda assim pode ser explorada por futuros viajantes. Uma relação que não é tão comum justamente por não existir uma metodologia de trabalho à distância que faça parte da cultura das organizações. Que tal você sugerir algo nesse sentido?

Um relatório da consultoria Top Employers Institute aponta que 15% das companhias conhecidas por melhores práticas instituíram o home office. O índice era de 6% em 2013, mostrando que a modalidade é uma tendência que cresce a cada dia.

Trabalhando remotamente, na Croácia
Trabalhando remotamente, na Croácia

Outra sugestão é empreender. Você sempre teve o sonho de construir seu próprio negócio e ele pode ser feito de qualquer lugar do mundo? Então, avalie se não é o momento de investir na sua ideia.

:: Veja também: Profissões para você trabalhar enquanto viaja o mundo

É válido lembrar de que nem todas as pessoas têm perfil para trabalhar remotamente. Além disso, sua função deve ser compatível com essa forma de trabalho. Se achar que é possível, formalize uma proposta para a empresa e defina métricas de avaliação para medir o resultado do seu trabalho à distância.

6 – Pesquise sobre trabalho e custo de vida

Atualmente, é muito comum encontrar em seu próprio círculo de amizade alguém que tenha ido estudar, trabalhar ou fazer um intercâmbio no exterior. Antes de decidir, pesquise, peça dicas sobre a vida, os custos em outros países, verifique se elas têm contatos de empresas ou moradores no país para conseguir mais informações.

Fique atento à legislação de cada país em relação ao trabalho, ou seja, se permite que um estrangeiro possa ter um emprego durante o período em que estiver por lá.

budva
O meu marido, Rosemir, em Montenegro

7 – Tenha bons equipamentos

A tecnologia facilita muito a vida de um viajante, principalmente, daqueles que desejam prestar seus serviços online. Então, avalie se seus equipamentos – seja smartphone, tablet, notebook ou câmera fotográfica – estão em boas condições para que possa trabalhar.

Se decidir investir em um computador novo, por exemplo, pesquise se é mais vantajoso comprar no Brasil ou deixar para adquirir no seu destino. Eu comprei o meu notebook em Portugal.

8 – Aprenda o idioma do país

Em geral, o viajante que tem uma boa noção de inglês consegue se virar bem em boa parte dos países. Mas, se esse não é o seu caso, reserve algum tempo para estudar a língua local e partir com ao menos uma base.

Você pode contratar um curso intensivo em uma escola de idiomas da sua cidade, mas se a grana estiver curta, existem canais no Youtube que ensinam de graça. Basta se programar e dedicar algum tempo diariamente.

Portugal é um país muito procurado por brasileiros pela similaridade com o nosso idioma, mas não se engane. Se a sua intenção é procurar um emprego por lá, o domínio da língua inglesa será exigido.

Porto, Portugal
Porto, Portugal

:: Veja também: Saiba qual é a melhor época do ano para viajar de forma econômica

E então, já está empolgado? Na época eu também fiquei e isso mostra que é possível fazer quando queremos e acreditamos. Não existem fórmulas mágicas para viabilizar financeiramente uma viagem, mas com criatividade, economia e planejamento é possível chegar lá. Talvez não em meses, mas você pode se programar para fazê-la daqui a um ou dois anos.

Desde o início da viagem, em maio, já se passaram oito meses. Até o momento, foram 13 países, inúmeras histórias e a certeza de que valeu à pena cada centavo investido e economizado.

por do sol
Sol se pondo, na Romênia

Você que está planejando conhecer outros país, conte pra gente o que está fazendo para viabilizar a sua viagem?

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